Sábado, 04 de julho de 2026, 15:08
INVESTIGAÇÂO

MP investiga servidor suspeito de receber salário sem trabalhar em Cajueiro da Praia

Procedimento do Ministério Público apura denúncias de que um gari teria recebido remuneração sem exercer regularmente as funções.

A Prefeitura de Cajueiro da Praia, administrada pelo prefeito Felipe Ribeiro (PT), voltou a ser alvo de investigação do Ministério Público do Piauí. Desta vez, a Promotoria instaurou um Procedimento Administrativo para apurar a situação funcional de um servidor efetivo do município, suspeito de receber remuneração sem exercer regularmente as atividades do cargo. O caso também busca verificar a existência de possível prejuízo aos cofres públicos.

De acordo com a investigação, o servidor Guido Nascimento da Silva, ocupante do cargo de gari, teria deixado de comparecer ao trabalho de forma regular desde o ano passado, enquanto exerceria outra atividade privada incompatível com a função pública. Conforme a portaria assinada pelo promotor Lucas Nonato da Silva Araújo, os elementos reunidos até o momento apontam indícios de possível dano ao erário e eventual enriquecimento ilícito, caso seja comprovado o pagamento de salários sem a efetiva prestação do serviço.

  
Prefeito Felipe Ribeiro (PT).
 
 
 

Em resposta ao Ministério Público, a Prefeitura informou que o servidor foi colocado à disposição da Secretaria Municipal de Obras para desempenhar atividades itinerantes relacionadas à fiscalização do descarte irregular de resíduos. No entanto, a Promotoria destacou que a portaria apresentada pela administração municipal foi editada apenas em 11 de março de 2025, não abrangendo todo o período investigado, que compreende os meses entre janeiro de 2024 e março de 2025. Além disso, o documento não foi localizado no Portal da Transparência nem no Diário Oficial das Prefeituras, o que levantou questionamentos sobre a publicidade do ato administrativo.

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é a ausência de documentos considerados essenciais para a apuração dos fatos. Segundo a Promotoria, o município não apresentou a legislação que estabelece a carga horária do cargo de gari, nem os registros de frequência, folhas de ponto e controles de jornada do servidor investigado. O órgão também pretende verificar se outros garis do município sofrem descontos salariais em caso de faltas, enquanto o servidor investigado teria recebido tratamento diferente. A Prefeitura terá o prazo de dez dias para encaminhar os esclarecimentos e a documentação solicitada pelo Ministério Público.

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