O Conselho Superior do Ministério Público do Estado do Piauí decidiu, nesta sexta-feira (6), suspender por 60 dias o promotor de Justiça Maurício Verdejo após julgamento de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A decisão foi tomada de forma unânime pelos integrantes do colegiado.
A penalidade prevê o afastamento do promotor de suas funções pelo período de dois meses. Entre os fundamentos apontados estão possíveis violações a deveres funcionais previstos na Lei Complementar nº 12, que trata da Lei Orgânica do Ministério Público do Piauí, como zelar pelo prestígio da Justiça, desempenhar as funções com zelo e presteza, residir na comarca em que atua e cumprir o horário de expediente.
Maurício Verdejo também responde a uma ação civil de improbidade administrativa movida pelo próprio Ministério Público, na qual é acusado de exigir R$ 3 milhões do empresário Junno Pinheiro para facilitar o arquivamento de um procedimento investigatório criminal e atuar por sua absolvição em um processo relacionado a um acidente de trânsito com morte ocorrido em Teresina.
De acordo com as investigações, orientado pela Polícia Federal, o empresário aceitou a proposta para viabilizar o flagrante do pagamento. O promotor teria recebido R$ 1 milhão. Parte do valor, R$ 500 mil, foi entregue em espécie em frente à residência dele em agosto do ano passado, com cédulas previamente digitalizadas e registro do encontro por meio de dispositivo eletrônico. As apurações também apontam a participação do ex-assessor André Ricardo Bispo Lima nas tratativas e indicam que o promotor teria bloqueado remotamente um celular apreendido durante a operação policial, o que teria dificultado a extração de dados pela perícia.