Ao que parece, nada tão tranquilo e pacífico assim dentro da base governista. Surfando na trend das montagens de “seleções” produzidas por inteligência artificial, o deputado Georgiano Neto (PSD) publicou nas redes sociais um vídeo mostrando o que seria “o seu time” para as eleições deste ano. Na escalação, aparecem o próprio Georgiano, pré-candidato a deputado federal; o pai, Júlio César, pré-candidato ao Senado; o governador Rafael Fonteles; e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos candidatos à reeleição. Até aí, tudo normal.

O curioso foi outro detalhe: não apareceu na “seleção” o senador Marcelo Castro (MDB), justamente o outro nome da chapa governista ao Senado e parceiro direto de Júlio César na chamada dobradinha da base.
Esquecimento? Coincidência? Ou mais um sinal de que o "time", na prática, ainda está longe de atuar em sintonia?
Depois dos movimentos de Georgiano para fortalecer o PSD após o fim da fusão cruzada que o MDB preferiu não repetir, o clima entre os dois partidos claramente azedou. Vieram declarações públicas, recados atravessados e cobranças veladas sobre apoio efetivo à candidatura de Júlio César dentro de setores do MDB.
Agora, o vídeo acaba funcionando quase como uma metáfora involuntária: cada partido parece mais preocupado em fortalecer o próprio jogador do que exatamente construir uma chapa coletiva.
Publicamente, deputados e lideranças da base seguem repetindo o discurso de que “está tudo superado”, que existe unidade e que o grupo segue em perfeita harmonia.
Mas o que se vê até aqui aponta justamente para o contrário. Porque, na prática, a chamada dobradinha ainda parece existir mais no discurso das entrevistas do que na militância política real.
Afinal, parlamentares do MDB e do PSD estão realmente apresentando os dois nomes da chapa ao Senado em suas bases? Ou cada um está apenas defendendo o candidato do próprio partido, deixando o “companheiro de chapa” em segundo plano?
No discurso, a base segue falando em “time”. Mas, pelo menos na seleção de Georgiano, parece que Marcelo Castro acabou ficando no banco.

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