MDB, PP ou PSD no Senado

Arnaldo Eugênio Doutor em Antropologia

As eleições gerais de 2026, no Brasil, prometem ser uma das mais disputadas, com mudanças, acordos políticos e apoios cruzados, que podem guardar muitas surpresas, reviravoltas e decepções até às convenções partidárias.

No Piauí, como reflexo nacional, as disputas internas, os embates entre os partidos, as trocas de partidos por parte de candidatáveis e o surgimento de “novos nomes”, modulam um cenário atípico, onde a ideologia partidária tem pouca ou nenhuma relevância eleitoral.

Nesse contexto, o ruidoso fato político de rompimento da coligação cruzada entre MDB e PSD, ambos aliados na base governista, poderá até não impactar numa possível reeleição do governador Rafael Fonteles (PT), mas, afetará as reeleições dos senadores Ciro Nogueira (PP) e Marcelo Castro (MDB), com possibilidade de favorecer a eleição de Júlio César (PSD), através de um apoio cruzado municipalista.

Pois, a direção nacional do PSD tem uma carta na manga para usar conforme a definição de apoiar ou não ao presidente Lula (PT). Ou seja, quanto mais o MDB “esticar a corda” com o PSD, mais favorecerá uma possível parceria deste com o PP, para compor uma chapa majoritária de oposição com Joel Rodrigues (PP) e Georgiano Neto (PSD). E, com isso, levar a eleição majoritária para o 2º turno, onde todos os opositores tenderão a se unir contra o PT.

Assim, quando os mdebistas, e, também, os petistas se antecipam, em nome da eleição e reeleição de preferidos partidários, preterindo os seus suplentes e os aliados do PSD, cria o cenário ideal para as bases municipalistas cobiçosas – incluindo a terceira via – se sentirem à vontade para orientar as intenções de votos para Ciro Nogueira (PP) e o Júlio César (PSD) em detrimento da reeleição de Marcelo Castro (MDB).

Nesse sentido, a priori, a decisão do MDB em romper a coligação cruzada com o PSD, não afeta uma possível reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) – até porque não foi o objetivo do rompimento. Porém, é um fato político que, a depender dos acordos nacionais, poderá, sim, favorecer, indiretamente, a primeira e segunda intenção de voto ao Senado, respectivamente, em Júlio César (PSD) e Ciro Nogueira (PP).

Todavia, não se deve, com isso, desconsiderar a força política do senador Marcelo Castro (MDB), mesmo que a decisão dos mdebistas lhe cause algumas dificuldades.  O fato é que a insatisfação dos suplentes e das bases municipalistas poderá favorecer o apoio cruzado a Ciro Nogueira (PP) e a Júlio César (PP), pavimentando um sonho da oposição, já planejado há anos, ou seja, Georgiano Neto (PSD), governador do Piauí, em 2030.

 Pois, o Brasil, em especial o Piauí, experimenta governos de esquerda ou alinhados há mais de 20 anos, contra apenas 4 anos de ruptura com a direita, que, atualmente, tem a maior bancada no Congresso Nacional e se articula nos estados para tomar o poder político.

Nesse contexto, só a habilidade política de Wellington Dias (PT) – em defesa dos seus interesses partidários e, inclusive, pessoais –, o ímpeto do governador Rafael Fonteles (PT) e o vigor dos “rafaboys”, não irão conter o apoio cruzado dos municipalistas em dois dos três nomes para as duas vagas ao Senado, mesmo que assegurem a reeleição do presidente Lula (PT).

Ainda mais, se o rompimento entre MDB e PSD estimular as bases vorazes da terceira via, por conveniência política, a se articularem e orientarem o segundo voto ao Senado, em Júlio César (PSD) ou Ciro Nogueira (PP). E, também, ajudar a oposição a levar a eleição majoritária para o 2º turno. Isso pressionará a base governista a ter que garantir a reeleição de Rafael Fonteles (PT) logo no 1º turno.