Defesa pede liberdade de acusado de gravar e vender vídeos íntimos em Teresina

Pedido foi protocolado pela defesa e aguarda decisão judicial; investigação aponta gravações sem consentimento e comercialização do material em grupos

A defesa de José Cleuton da Silva, investigado no âmbito da Operação Lente Oculta, protocolou na última sexta-feira (12) um pedido para revogar a prisão cautelar decretada contra ele. A solicitação ainda será analisada pelo juiz da Central de Inquéritos de Teresina, Valdemir Ferreira Santos. O investigado foi preso durante ação conduzida pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da Polícia Civil do Piauí.

De acordo com as investigações, o homem é suspeito de gravar relações sexuais sem autorização das mulheres envolvidas e, posteriormente, disponibilizar os conteúdos para venda por meio de grupos na plataforma Telegram. Conforme a polícia, ao menos sete mulheres procuraram a especializada após identificarem que imagens íntimas estavam sendo compartilhadas em diferentes estados do país.

  

Suspeito de vender imagens íntimas escondia celular em pasta para filmar vítimas. Reprodução
   

As apurações também apontam para a existência de um suposto esquema estruturado para obtenção dos registros. Segundo a Polícia Civil, o investigado atraía mulheres com promessa de pagamento e utilizava equipamentos escondidos para filmar os encontros sem conhecimento das participantes. Entre os materiais apreendidos e analisados estariam dispositivos adaptados e câmeras ocultas em objetos comuns para dificultar a identificação das gravações.

Ainda conforme a investigação, os vídeos eram comercializados na internet por valores entre R$ 75 e R$ 100, com uso de recursos tecnológicos para ampliar a circulação do conteúdo em grupos fechados. A Polícia Civil informou que algumas gravações analisadas apresentariam indícios de envolvimento de menores de idade, o que ampliou a gravidade do caso. Os investigadores também relataram ter obtido junto ao Telegram a remoção dos conteúdos identificados e solicitado medidas para impedir novas publicações relacionadas às vítimas.