A FALÁCIA DO ESPANTALHO - Xadrez na Política
Segunda, 24 de junho de 2024, 15:44
Xadrez na Política

A FALÁCIA DO ESPANTALHO

A “falácia do espantalho” consiste em deturpar o argumento de outrem e, assim, utilizá-lo para atacar, enganar e desmoralizar o interlocutor/adversári

ARNALDO EUGÊNIO

DOUTOR EM ANTROPOLOGIA

Depois das convenções partidárias - entre 20 de julho e 5 de agosto de 2024 -, que irão deliberar sobre as candidatas e os candidatos aos cargos de prefeito, vice-prefeito (majoritários) e vereadores (proporcionais) nas eleições municipais, o eleitorado brasileiro deve focar atenção às nuances das campanhas, aos discursos políticos e às possíveis “moralidades fake news” que se apresentarão. Isso para não ser seduzido por “falácias de espantalhos” ou por um “canto da sereia do irracional”, ou por mentiras, engodos, e propostas ilusórias em troca de votos.

A “falácia do espantalho” consiste em deturpar o argumento de outrem e, assim, utilizá-lo para atacar, enganar e desmoralizar o interlocutor/adversário. Em tempos de campanhas eleitorais, o candidato mentiroso ou a candidata mentirosa não é um estranho para os munícipes. Pois, são aqueles que usam de discursos fraudulentos e ilusórios para omitir as verdadeiras intenções por trás ou embasam a sua candidatura política.

Na política, como nas demais relações interpessoais, a mentira (ou peta) vincula-se à mesma mentalidade humana relacionada à política, ou seja, a imaginação. Segundo, Hannah Arendt (1906-1975), “[...] o problema com a mentira e o engodo é que só são eficientes se o mentiroso e o impostor têm uma clara ideia da verdade que estão tentando esconder”. Isto acontece porque a verdade, mesmo que não prevaleça em público, tem uma primazia inerradicável sobre qualquer falsidade. Ou seja, a verdade sempre, nem cedo nem tarde, prevalecerá sobre a mentira.

Nas eleições municipais de 2024, por um lado, muitos candidatos ou candidatas a cargos majoritários – prefeito ou prefeita –, que querem se eleger são pessoas de posturas e de índoles duvidosas, cuja expressão “tranqueira” ou “mal caráter” cai muito bem, como uma verdade. E, por outro lado, há uma centena de candidatos e de candidatas à reeleição que já estão sob suspeição ou condenação por fraude, roubo, corrupção e ato incompatível com a dignidade, bem como a faltar com o decoro na sua conduta pública.

Além disso, há dezenas de gestores municipais o Brasil que não podem sequer disputar uma reeleição, pois já foram cassadas – com uma condenação criminal transitada em julgado – em decorrência de crime de improbidade administrativa. E outras dezenas de gestores estão administrando a cidade sob forte tensão e através de recurso de liminar judicial, devido à vinculação com diversos escândalos de desvios e/ou roubalheira de dinheiro público.

 A “falácia do espantalho”, no campo das campanhas eleitorais de 2024, se manifestará nas disputas entre muitos candidatos e candidatas, principalmente a cargos de prefeito, através da prática de deturpar o argumento dos adversários, utilizando artifícios imorais e ilegais, para atacá-los e/ou enganar os eleitores. Para isso, as redes sociais serão usadas pelo forte apelo midiático e o amplo impacto sobre o imaginário social e político no país, por meio do “canto da sereia”.

A expressão "o canto da sereia" tem relação com jogos de sedução ou tentativas de iludir alguém – no caso das eleições, são os candidatos oportunistas tentando enganar o eleitor ou a eleitora. A sedução provocada pelas sereias era através do canto – na política, são com discursos vãos e propostas irrealizáveis. Os marinheiros que eram atraídos pelo canto da sereia e se aproximavam para ouvir seu belíssimo som, descuidavam-se e naufragavam.

Portanto, é relevante o eleitorado brasileiro qualificar a escolha de em quem votar, pois se trata de exercícios, ao mesmo tempo, éticos, políticos, cívicos e existenciais. Isso fará com que o povo pense na realidade presente.

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