Nas eleições de 2026, os mais de 2,5 milhões de eleitores e de eleitoras do Piauí terão mais uma oportunidade de eleger (ou reeleger) dois nomes para duas vagas no senado federal. Porém, até o momento estão postas, no principal embate político estadual, apenas três pré-candidaturas: Marcelo Castro (MDB), Ciro Nogueira (PP) e Júlio César (PSD).
Desse modo, a reprimenda entre a base governista-lulista, com Marcelo Castro e Júlio César, e a oposição-bolsonarista, com Ciro Nogueira, tentam estabelecer nas bases municipalistas uma polarização política. Ou seja, a busca por consensos, transformando adversários em inimigos, que ameaça a democracia ao reduzir a racionalidade e aumentar a intolerância, impulsionada por redes sociais e fatores socioemocionais.
Assim, a polarização política é uma jaula ideológica quebusca dividir e prender o eleitorado em dois ou mais blocos opostos, com visões de mundo conflitantes. Por um lado, diminui as chances de outras vias e, por outro lado, só oportuniza aos eleitores e às eleitoras votarem em dois nomes, ou nulo ou branco.
No Piauí, com duas vagas em disputa, já existe uma movimentação extemporânea de partidos e lideranças querevelam uma disputa nas projeções de composição de times, a atuação dos grupos tradicionais e a busca de novos atorespolíticos. Isto mostra que o pleito de 2026, tanto ao cargo majoritário quanto aos proporcionais, tende a se caracterizarpor três movimentos: a reorganização de forças municipalistas, o plano estratégico, e os arranjos da políticanacional.
Quanto à disputa ao senado, o grupo governista se articulapara preservar e reforçar o campo de alianças. Onde as prioridades são a reeleição do presidente Lula, do governador Rafael Fonteles, do senador Marcelo Castro e a eleição de Júlio César, na segunda vaga de senador.
A indicação de Júlio César é parte da estratégia governista para manter a coesão do bloco partidário formado por MDB, PT e PSD, que, atualmente, predomina no campo político-institucional do Piauí. Em se confirmando o arranjo estadual, o bloco governista se equilibra internamente e se fortalece externamente com a experiência do deputado federal Júlio César, além de neutralizar o avanço da oposição.
Assim, longe da soberba política do “já ganhou”, principalmente nos quinze maiores colégios eleitorais do Piauí, a presença de Júlio César na chapa governista-lulistaagregará mais lideranças pelo seu trânsito nacional e a capacidade de articulação nos municípios, garantindo aos partidos da base aliada um maior capital político municipalista.
Pois, na oposição-bolsonarista, o senador Ciro Nogueira busca a reeleição, através de articulações com lideranças nos municípios, percorrendo as bases no estado ao lado da ex-deputada Margarete Coelho e do ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues. Onde a perspicácia política e a força no cenário político nacional faz de Ciro um adversário astuto e empoderado, com a habilidade de influenciar lideranças e de inflar o ego de gestores municipais.
Todavia, o maior desafio do “grupo cirista” será unificar as forças no campo oposicionista estadual e construir um nível de competitividade capaz de protagonizar uma disputa eleitoral equilibrada contra a força governista. Além de montar um palanque nacional competitivo, alinhando-se às forças bolsonaristas no Piauí.
Contudo, trata-se de um prelúdio das disputas, que antecede as combinações, as alterações, as eventuais aglutinações e as convenções partidárias. A eleição para o Senado tem relação com as reeleições do presidente Lula e do governador Rafael Fonteles, que alterarão significativamente a correlação das forças políticas no estado e impactarão nas eleições municipais de 2028. Que prevaleça a vontadepopular!

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