Segunda, 08 de junho de 2026, 15:44

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COLUNA

E o milagre do Hexa, tem rumo?

Por Maurício Lopes

A Seleção Brasileira de Futebol dará seus primeiros passos rumo ao tão esperado hexacampeonato no dia 13 de junho. Mês de festas juninas, de São João, São Pedro e Santo Antônio. Aliás, nossa estreia será justamente no Dia de Santo Antônio, o "Santo Casamenteiro", segundo as tradições nordestinas propagadas Brasil afora e tão presentes pelas bandas de Campo Maior, no Piauí. Aproveitando para lançar mão de mais um dos meus inevitáveis trocadilhos, torço para que o casamento ítalo-brasileiro entre Ancelotti e a Canarinho prospere nesta Copa. E quem tiver algo contra que fale logo — ou se cale pelo menos até os próximos quatro anos —, já que a união entre o mister e a Seleção Brasileira foi oficializada em contrato, estendendo os laços de Carletto até a Copa de 2030.

Se não trouxermos para casa a taça do hexacampeonato (tum, tum, tum — três batidas na madeira), pelo menos a economia brasileira e boa parte da economia mundial agradecerão pelo evento. Segundo estimativas, só nas “benditas bets” circularão mundialmente cerca de 251 bilhões de reais. E as apostas não jogarão sozinhas no campeonato das tentações. Na outra ponta do gramado, entra em campo outro gigante em bilhões: os litros de cerveja que descerão redondo pela garganta de torcedores espalhados pelos quatro cantos do planeta. No Brasil, cerca de 58% dos torcedores afirmam que pretendem aumentar o consumo da bebida durante os jogos.

Haverá mais hotéis com quartos ocupados, camisetas de seleções para todos os gostos e desgostos sendo vendidas pelo mundo, além de uma infinidade de produtos rigorosamente licenciados e outros de originalidade altamente questionável, aproveitando o calor da fogueira que arde no peito de milhões de apaixonados pelo futebol, aqui e alhures.

No Brasil, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que 4,32 bilhões de reais serão injetados na economia, representando um crescimento de 6,52% em comparação com a edição de 2022. Somente o mercado de televisores já experimentou o crescimento de 60% no período pré-Copa. A reboque desse aquecimento, as emissoras também aproveitam o momento para ensaiar um suspiro e cutucar seus concorrentes, que vêm disputando a audiência lance a lance. As televisões credenciadas a transmitir o Mundial promovem verdadeiros telecursos, ensinando os torcedores a comemorar o gol na hora certa e a evitar que o lance mais esperado do futebol apareça na tela da sua TV somente após o vizinho de “parede e meia” ter se esgoelado por longos dez segundos.

Dito isso, torçamos pela nossa Seleção!! E, por mais que nos desesperemos em alguns momentos, não percamos a fé. Torçamos pela plena recuperação do nosso “menino Ney” e para que ele volte a cair, sobretudo, nas graças da torcida. Roguemos também para que o nosso atacante Vinícius Júnior faça amor com a bola dentro de campo e consiga direcionar os holofotes para aquilo que sabe fazer de melhor: jogar futebol.

Finalmente, que seja um estrangeiro o principal responsável por celebrar o casamento perfeito entre a vontade de jogar e a capacidade de fazer gols, transformando os nossos ricos investimentos em camisas, álbuns de figurinhas, televisores e afins no grito uníssono do tão esperado: É HEXA!!!!!!! E que os “deuses do futebol”, radicados em solo brasileiro, estejam certos ao trazer um treinador de fora para operar esse milagre, já que os “santos da casa” não conseguiram realizá-lo nos últimos cinco mundiais.

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